
Lorrane Dias
O futuro nos chama em silêncio distante
como estrada aberta, incerta e constante.
Seguimos no mundo, passo inseguro
com o olhar perdido diante do escuro.
Aprendemos cedo o peso da dor
mestra severa que molda o amor,
pois sem o amor, em sua verdade
a própria existência seria saudade.
A mágoa repousa, discreta e presente
cicatriz viva gravada na mente.
Talvez na velhice possamos enfim
rir dos caminhos que trouxeram até aqui.
Mudamos de cidade, cruzamos o chão
buscando no longe alguma razão.
Quem sabe às margens do Mississippi azul
entre Tennessee e o vento do sul.
Mas sempre regressa, firme e sem idade
a doce presença da saudade.
Ela nos leva, sem pedir licença
à casa antiga da infância imensa.
A vida escorre num breve piscar
como areia impossível de segurar.
E só percebemos, tarde talvez
que o tempo jamais retorna outra vez.
Da morte ninguém pode se esconder
qualquer caminho pode nos perder,
às vezes chega sem anunciar
como a pneumonia roubando o ar.
Na linguística muda do existir,
há sentimentos difíceis de traduzir.
Entre lógica, sonho e mística
descobrimos viver como arte logística.
Entre o ódio que insiste em ficar
e o amor que aprende a recomeçar
seguimos humanos, sem perfeição,
carregando o mundo dentro do coração.
E quando o fim parecer chegar
talvez seja só o tempo a ensinar
que o futuro não é despedida fria
é a esperança escrevendo outro dia.
Autor